terça-feira, 13 de setembro de 2011

AUTO RETRATO (PROSA POÉTICA)


NALDOVELHO

Imagens, paisagens, lúdicas, lunares, áridas imagens...  Muitos matizes de uma mesma cor, Assim são as telas, meus quadros, minha dor.

As muitas sementes jogadas ao vento, algumas germinaram, outras latentes, algumas perdidas em longínquas paragens, ao alcance de um abraço só uma me restou.

Não falo bobagens, levo a vida a sério, até os meus erros os cometo com ardor. Tenho poucos amigos, desconheço o inimigo, tenho a solidão como o meu melhor abrigo e o Eremita é a minha carta no Tarô. Sou instável, às vezes fluídico, muitas vezes fumaça ao sabor do vento, outras vezes alfazema a invadir teu quarto, suave fragrância, sou feito essência que se entranha ao teu corpo e se mistura ao teu cheiro, e deixa marcada a minha presença, testemunha de um sonho que nunca se realizou.

Tem dias que eu chovo, sou meio nublado, inundo o caminho, tal qual tempestade, às vezes garoa, chuvinha à toa, que molha a vidraça e os jardins da cidade. Às vezes sou árido, inóspito e desértico, e às vezes sou vento que muda a paisagem. Assustam-me as fotos, não sou fotogênico, sou bem mais bonito, meu espelho é quem diz.

Não costumo dar risadas, estou mais para o sorriso; prefiro os romances, não gosto dos dramas; minhas lágrimas são poucas, acho que cristalizadas.

Sou bem cuidadoso, até generoso, não uso a palavra despropositada, para mim poesia, nunca é só poesia, para mim um poema é sempre mais que um poema, é materializar um sentimento, uma emoção, uma dor.

Minhas paixões são perenes e delas não abro mão! Guardo-as sempre como boas lembranças, responsáveis pelo homem que hoje eu sou.

Já fiz muitas viagens, conheci muitos lugares, estou sempre de chegada, nunca de partida. Visto-me discretamente, para não chamar a atenção. Quero que as pessoas me percebam pela energia que passo, e não por aquilo que pensam que eu sou.

Sou justo, honesto e bem transparente, tenho a dignidade como código, sou ético e acredito que liberdade é fazer sempre o que tem que ser feito, muitas vezes submetendo a vontade e a emoção à razão.

Às vezes me sinto meio deslocado, mas sou um espiritualista, acredito na redenção. Acredito que em meu caminho sempre existirão muitas oportunidades, é só nunca parar de crescer, e nunca deixar de acreditar que um dia que eu espero não muito distante, eu possa merecer colocar em prática as coisas que eu guardo em meu coração.

Nesse dia caminharemos de mãos dadas, e revelaremos ao mundo o romance e a delicadeza de um sonho precioso e sagrado, que por hora vai ficar nos guardados até que o mereçamos viver.

Um comentário:

  1. Um texto bem elaborado.
    Um auto-retrato determinado, forte, sentimental!
    Parabéns!

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