domingo, 25 de setembro de 2011

DOS SABERES (ARQUIVO)


   NALDOVELHO

   Sei das estrelas que encantam o caminho,
   do vento que acaricia o meu corpo
   e que pacientemente esculpi em meu rosto
   as marcas da solidão.

   Sei do sussurro das águas de um rio
   que insistentemente se põem a dizer: saudade!
   e da dor entranhada em meu peito
   por esperas, desencontros, abandonos.

   Sei das escolhas e do desencanto,
   das portas fechadas e do desabrigo,
   das noites insones e do meu caminhar,
   quase sempre, em desalinho.

   Sei do exílio que hoje me imponho
   e da inquietude que alimenta meus sonhos,
   sei que um dia há de existir um repouso
   e que o verdadeiro amor desconhece
   o significado da palavra adeus.

   Sei da liberdade que teimosamente eu proponho,
   e da busca pela redenção,
   sei que sou apenas mais um peregrino,
   que escolheu ser sem rumo, sem prumo e sem porto.

   Sei que o seu nome tem gosto de ausência
   e que o seu cheiro tem o odor da querência,
   sei que sou um anjo caído,
   que ao olhar em seus olhos descobriu
   que ainda era um menino,
   que não conseguia ser digno de você.

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