terça-feira, 20 de setembro de 2011

E POR FALAR EM VOCÊ... (LUZ E SOMBRAS)

    NALDOVELHO

   Ruas, travessas, becos, esquinas,
   sacadas, varandas, janelas entreabertas,
   o tempo nublado, calçadas molhadas,
   a chuva miúda, o cheiro de terra,
   momentos de espera, estou tão sozinho,
   o barulho dos carros apressados que passam,
   o mês é setembro, quase primavera.

   Andar sem sossego por toda a cidade,
   tomar um conhaque, fumar um cigarro.
   Melhor ir para a casa compor um poema,
   dedilhar no piano um velho bolero,
   sussurrar o seu nome, você está tão longe,
   o telefone que toca, desculpe, é engano!
   Continuo lhe amando, apesar dos enganos.

   Comprei seu perfume e espalhei pelo quarto,
   ainda sou um romântico, daqueles incorrigíveis
   e o seu retrato ainda mora na cabeceira da cama.

   Já são mais de dez horas nessa cidade nublada,
   já faz tanto tempo que a saudade é um tormento,
   queria poder viajar pra bem longe,
   queria poder me encontrar com você,
   tentar refazer, acertar desta vez.

   Os meus muitos defeitos: alguns consertei.
   O livro de contos, ainda não terminei,
   para ser bem sincero, a muito não pego,
   já faz algum tempo, só escrevo poemas:
   o mesmo tema de sempre...

   E por falar em você...

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