segunda-feira, 8 de agosto de 2011

AO PASSEAR POR SUA PELE


   NALDOVELHO

   Ao passear por sua pele
   eu descubro quase tudo;
   marcas, sardas, cicatrizes,
   fendas, dobras, diretrizes,
   essências que brotam impunemente
   néctar envenenado de serpente
   suor, saliva e aguardente.
   Se não é, parece!
   Pois toda a vez que eu percebo,
   já nem sei das minhas pernas,
   embriagado que estou.

   Ao passear por sua pele,
   deixo marcas preciosas,
   abro todas as janelas,
   escancaro minhas portas,
   escorrego, não importa!
   se num recanto obscuro
   eu me lambuzo do seu ser.

   Ao passear por sua pele
   eu me envolvo em suas teias
   e absorvo tantas chamas,
   colho gemidos quase loucos,
   se não morri ainda, foi por pouco!
   E então escrevo o absurdo,
   poemas plenos e obscenos,
   choro lágrimas convulsivas,
   ferida aberta, carne viva...
   
   Detesto a hora da partida,
   pois toda vez que amanhece,
   vou pra bem longe de você.

10 comentários:

  1. .

    Naldo Velho encantadoramente devaço obcena inveja do estro do poeta inspirado

    ResponderExcluir
  2. Lindíssimo texto , poeta. bjs poéticos.

    ResponderExcluir
  3. Beleza pura meu amigo...abreijos, guida

    ResponderExcluir
  4. "Ao passear por sua pele
    E então escrevo o absurdo,
    poemas plenos e obscenos,
    choro lágrimas convulsivas,
    ferida aberta, carne viva...

    Detesto a hora da partida,
    pois toda vez que amanhece,
    vou pra bem longe de você".

    Belíssimo!!! Meu abraço..
    Milla Cavalcanti

    ResponderExcluir
  5. Meu amigo POETA, como gosto de ler os seus poemas! Sinto orgulho de você, não só por sermos amigos, como poder ter encontrado alguém que me encanta com os seus escritos, suas idéias e pensamentos. Você é grande!

    ResponderExcluir
  6. A partida pode ser dolorosa, aliás, sempre o é, mas importa o que ficou.
    Beleza e sensualidade!
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  7. While Walking Along His Skin.

    NALDOVELHO


    While walking along his skin
    I discover almost everything;
    marks, freckles, scars,
    slits, folds, directives,
    essences that flow with impunity
    poisoned nectar of serpent
    sweat, salivates and spirit.
    One is not, look!
    So the whole time what I realize,
    I do not even know already of my legs,
    when that I am was intoxicated.


    While walking along his skin,
    I leave precious marks,
    I open all the windows,
    I open my doors wide,
    I slip, do not matter!
    if in an obscure corner
    I smear myself of his being.


    While walking along his skin
    I become involved in his webs
    and I absorb so many flames,
    I gather almost crazy moans,
    if I still did not die, it was for somewhat!
    And then I write the absurdity,
    full and obscene poems,
    I cry convulsive tears,
    open wound, lively meat...

    I hate the hour it starts,
    so every time it dawns,
    I go for good far from you.


    Translated for the English by Marlene Nass.

    ResponderExcluir
  8. Tout En Marchant Le Long De Sa Peau.


    NALDOVELHO



    Tout en marchant le long de sa peau
    Je découvre presque tout ;
    marques, taches de rousseur, cicatrices,
    des fentes, des plis, des directives,
    essences qui circulent en toute impunité
    nectar empoisonné de serpent
    la sueur, salivates et esprit.
    On n'est pas, regardez !
    Donc tout le temps ce que je sais,
    Je ne savent même pas déjà de mes jambes,
    Lorsque que je suis était ivre.



    Tout en marchant le long de sa peau,
    Je laisse de précieuses points,
    Ouvrir toutes les fenêtres,
    J'ouvre mes portes larges,
    Je glisse, sans importance !
    Si dans un coin obscur
    Je frottis moi-même de son être.



    Tout en marchant le long de sa peau
    Devenir impliqué dans ses toiles
    et j'absorbe tant des flammes,
    Je comprends les gémissements presque fous,
    Si j'ai encore ne sont pas morts, c'était quelque peu !
    Et puis j'écris l'absurdité,
    poèmes obscènes et complète,
    Je pleure des larmes convulsifs,
    ouvrir la plaie, viande vivante...


    Je déteste l'heure qu'il commence,
    donc chaque fois rendez alors compte,
    Je vais bien loin de vous.



    Traduit de Français par Marlene Nass.

    ResponderExcluir
  9. Uau...arrasou, poeta! Desnudou os segredos e as cumplicidades do amor, magnificamente! Muito lindo, como sempre! Forte abraço Naldo Velho

    ResponderExcluir