domingo, 21 de agosto de 2011

SEMPRE UM POUCO MAIS


   NALDOVELHO

   Tenho fome do silêncio das madrugadas,
   da paz que a plenitude dos meus sonhos traz,
   de poder caminhar pelas ruas, dobrar esquinas,
   explorar praças, jardins, recantos
   e poder pisar nas areias de certa praia
   que existe perto daqueles rochedos
   lá pras bandas do meu desassossego.

   Tenho fome de poder macerar minhas lembranças,
   da solidão que sempre senti em minhas andanças,
   da inquietude de ser tão incompleto
   a ponto de preferir caminhar pela imensidão
   a me afogar em lugares povoados de ilusão
   e de poder alquimizar minhas verdades
   até transformá-las em compreensão.

   Tenho fome da ternura dos teus olhos,
   da textura de tua pele branca,
   das tuas marcas, sardas, caminhos, atalhos,
   recantos umedecidos pelo orvalho,
   saliva, suor, peçonha, espasmos,
   tenho fome do teu corpo inteiro,
   só lamento não poder te devorar.

   Tenho fome de poder macerar significados,
   de perceber que a passarada em festa
   não quebra a harmonia silenciosa dos meus dias,
   de saber que as águas que inundam meus passos
   fazem parte das escolhas que eu faço:
   água de chuva, água de rio,
   água dos olhos, do seu corpo, água do mar.

   Tenho fome de dar vida às coisas,
   de poder conversar com as pedras,
   de saber delas seus segredos, suas aflições,
   de poder perceber o cochicho das folhas
   que falam de uma sabedoria perdida,
   linguagem dos anjos que me fazem
   querer viver sempre um pouco mais.

14 comentários:

  1. Bonito, poeta! Aí está as diversas fomes que impulsionam aos sonhos, que inundam os nossos segredos e nossas escolhas. Adorei, meu amigo! Carinhoso abraço Naldo Velho.

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  2. Somos assim,
    sempre temos fome de tantas coisas....
    lindo demais o seu poetar, meu amigo Naldo.
    Beijinhos nesta alma tão especial.

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  3. ALWAYS A LITTLE MORE



    NALDOVELHO


    I have hunger of the silence of the night,
    the peace that the fullness of my dreams bring,
    to be able to walk the streets, fold corners,
    exploring squares, gardens, corners
    and be able to step on the sands of a beach
    that exist near those rocks
    There goes my bands restlessness.


    Have power hunger macerate my memories,
    the solitude that always felt in my wanderings,
    the anxiety of being so incomplete
    to prefer walking through the vastness
    to drown in populated places of illusion
    and you can alquimizar my truths
    to turn them into understanding.


    I hunger for the tenderness of thine eyes,
    the texture of your skin white,
    your marks, freckles, paths, shortcuts,
    crannies moistened by dew,
    saliva, sweat, venom, spasms,
    I have hunger of your entire body,
    My only regret is not being able to devour you.


    Have power hunger macerate meanings,
    realizing that the birds in party
    does not break the quiet harmony of my days,
    know that the waters that flood my steps
    part of the choices that I make:
    rain water, river water,
    eye water, your body, seawater.


    I'm hungry to give life to things,
    You can chat with the stones,
    ask them their secrets, their afflictions,
    You can see the whisper of leaves
    speaking of a lost wisdom,
    language of angels who make me
    want to live a little more.

    Translated into English by Marlene Nass.

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  4. TOUJOURS UN PEU PLUS



    NALDOVELHO


    J'ai faim du silence de la nuit,
    la paix qui apporte la plénitude de mes rêves,
    pour être capable de marcher dans les rues, repliez les coins,
    explorant les places, les jardins, les coins
    et être en mesure d'intervenir sur le sable d'une plage
    qui existent près de ces roches
    Voilà mon agitation de bandes.


    Ont faim de pouvoir laisser macérer mes souvenirs,
    la solitude qui a toujours senti dans mes pérégrinations,
    l'angoisse d'être tellement incomplet
    à préférer en parcourant l'immensité
    se noyer dans le județ de l'illusion
    et vous pouvez alquimizar mes vérités
    pour les transformer en compréhension.


    J'ai faim de la tendresse de tes yeux,
    la texture de votre peau blanche,
    vos marques, taches de rousseur, chemins raccourcis,
    recoins mouillés par la rosée,
    la salive, la sueur, venin, spasmes,
    J'ai faim de votre corps tout entier,
    Mon seul regret est de ne pas pouvoir vous dévorer.


    Ont faim de pouvoir laisser macérer les significations,
    se rendant compte que les oiseaux en partie
    ne pas rompre l'harmonie tranquille de mes jours,
    savoir que les eaux qui inondent mes pas
    partie des choix que je fais :
    pluie l'eau, l'eau de la rivière,
    l'eau, votre corps, l'eau de mer pour les yeux.


    J'ai faim donner vie aux choses,
    Vous pouvez discuter avec des pierres,
    Demandez-leur leurs secrets, leurs afflictions,
    Vous pouvez voir le chuchotement des feuilles
    parlant d'une sagesse perdue,
    langage des anges qui me font
    vous souhaitez vivre un peu plus.

    Traduit dans le Français par Marlene Nass.

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  5. Também sinto essas fomes delicadas e fortes!

    Lindo poema querido amigo!

    Muito obrigada por me permitir tão deliciosa leitura!

    Beijo!

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  6. Tenho fome e sede de justiça, fome e sede de ler sua poesia, grande Naldo Velho, bjs

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  7. Otima imagens, cadencia e aliteracao. Parabens Naldo.

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  8. Muito lindo meu querido amigo poeta Naldo, Parabéns, amo os seus escritos. Beijos

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  9. Que poema lindo, meu Naldo! Que presente real, táctil de final de ano! Obrigado por tanta beleza, meu poeta, e que 2014 venha com muita inspiração e menos tristezas... Abraçãom meu

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  10. SEUS POEMAS ME FAZEM REFLETIR SÃO MAGNIFICOS.FELIZ ANO NOVO POETA AMIGO.Ilca Karla Santos

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  11. E eu gosto é dos que tem fome,dos que morrem de vontade,dos que secam de desejos,dos que ardem!Amei o poema,me identifico muito com sua poesia!Obrigada por sua companhia doce e acalentadora durante o ano que termina!Bora recomeçar sempre,sempre,sempre!Sejamos felizes meu doce poeta!Feliz ano novo pra você e sua família!Sou grata,muito grata a você!

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  12. " Tenho fome da ternura dos teus olhos,
    da textura de tua pele branca,
    das tuas marcas, sardas, caminhos, atalhos,
    recantos umedecidos pelo orvalho,
    saliva, suor, peçonha, espasmos,
    tenho fome do teu corpo inteiro,
    só lamento não poder te devorar."...o que dizer diante de tão belos versos, se não APLAUSOS? Parabéns como sempre amigo Naldo. Grande abraço e um feliz ano novo, com as melhores inspirações possíveis.

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