quinta-feira, 28 de julho de 2011

FANTASMAS QUE TRAGO COMIGO

   NALDOVELHO


   Num antigo disco de vinil Elis destila dor de partida,
   e num velho álbum de retratos
   eu continuo a procura de respostas
   que possam exorcizar os fantasmas que vivem comigo.

   Quem sabe embaixo da mesa ou atrás da porta,
   talvez esquecidas em algum armário,
   terceira gaveta, lado esquerdo do peito...
   Mas só encontro teias, traças, umidade e solidão.

   Pego em meu bolso a chave da casa,
   faz tempo não atravesso portas,
   não ando pelas ruas, não falo com as pessoas,
   não freqüento bares, esquinas e praças...

   Mas nas calçadas, as pessoas que passam
   só vivem apressadas e não percebem
   o ranço, a calmaria, o limbo
   e os fantasmas a que servem de abrigo.

   Retorno ao meu quarto, escancaro a janela,
   a cidade anoitece, mês de agosto, inverno...
   Por aqui os fantasmas sorriem,
   desprezam meus motivos.

   Afirmam que é tolice negar o passado,
   e que cada um deles tem um nome;
   e só quando eu souber pronunciá-los,
   deixarão de assombrar meu coração.

3 comentários:

  1. Se se quiser ver livre dos seus fantasmas terá então de soletrar seus nomes.
    Mas será que quer isso? Não achará depois a sua falta ao ponto de implorar que voltem?

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  2. Ghosts What I Bring With me.

    In an ancient disc of vinyl Elis it distills pain of departure,
    and in an old album of portraits
    I continue the search of answers
    what could exorcize the ghosts what they survive with me.

    Who knows under the table or behind the door,
    perhaps forgotten in some cupboard,
    third drawer, left side of the chest...
    But only I find webs, moths, moisture and solitude.

    I catch my pocket the key of the house,
    it does time I do not cross doors,
    I do not walk in the streets, do not speak with the persons,
    I do not frequent bars, corners and squares...

    But in the sidewalks, the persons who pass
    only they live hurried and do not realize
    the rancidness, the calm, the limb
    and the ghosts what they serve of shelter.

    I return to my room, open the window wide,
    the city grows dark, I etiolate, spend the winter...
    This way the ghosts smile,
    they despise my motives.

    They affirm that it is a stupidity to deny the past,
    and that you erase each one it has a name;
    and only when I will be able to pronounce them,
    they will stop astonishing my heart.

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  3. TODOS NÓS TEMOS OS NOSSOS PRÓPRIOS FANTASMA , MAS BASTA NÃO TER MEDO DE EXORCIZÁ-LOS .... EU VIVO O PRESENTE , NÃO VIVO O PASSADO, MAS O PASSADO VIVE EM MIM...<3

    MAGAL ROCHA!!!!

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