domingo, 14 de junho de 2015

URGÊNCIA

    NALDOVELHO

    Há uma urgência que transpira inverno
    encharcando as paredes do meu quarto.
    Domingo, princípio de junho,
    na realidade fim de outono,
    mas no horizonte já se percebe
    o frio das coisas querendo se achegar.
    E a solidão deitada no chão do meu quarto,
    e na prateleira da estante o teu retrato,
    sorri e me pede um beijo, um abraço.

    No ar um tango sofrido, ardido...
    Astor Piazzolla sabia o tom exato
    da tristeza que sem pedir licença,
    diz desaforada que veio para ficar.
    Linhas entrelaçadas histórias,
    saudade, nostalgia,minhas memórias...
    E o veneno a circular
    impunemente em meu corpo,
    e eu busco na poesia um antídoto,
    mas ela arredia diz: hoje não!

    Há uma urgência nas coisas que eu faço,
    na vontade de semear madrugadas,
    na necessidade de dobrar esquinas,
    na incapacidade de sobreviver ao silêncio,
    na possibilidade de ter que ir embora,
    nos poemas guardados na gaveta,
    em todas as coisas que me povoam as horas
    e que na realidade são as donas deste lugar.

    Há uma certa urgência no tempo que me resta!

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