sábado, 28 de novembro de 2015

SOLIDÃO

    NALDOVELHO

    É no osso do desgosto
    que a solidão faz seu porto,
    é no café amargo
    acompanhado de um cigarro,
    é num entardecer chuvoso de inverno,
    dose reforçada de conhaque
    para esquentar o coração
    e o dia agoniza enquanto anoitece,
    ao longe um bolero faz uma prece,
    noite que chega sorrateira
    e deposita saudades em minhas mãos.

    É no osso do desgosto
    que a solidão faz seu porto,
    é no atritar lento das horas
    que a noite nos chama lá fora,
    diz que é moça bonita,
    cheia de carinhos e prendas,
    orvalho, saliva, pecados,
    e que na cidade onde ela vive
    é impossível não se perder.
    Mas ela nem sabe o meu nome,
    só sabe dos meus desatinos,
    garrafa inteira de absinto,
    mais uma noite sem você.

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