sexta-feira, 11 de novembro de 2011

PASSAGEIRO DE MIM MESMO (LUZ E SOMBRAS)


   NALDOVELHO

   É como se um grito escapulisse da garganta,
   e as lágrimas transbordassem abusadas.

   É como se o dia explodisse em meu quarto
   e a noite, coitada, fosse embora assustada.

   É como se as dobradiças estivessem emperradas
   e a janela do quarto acordasse escancarada.

   É como se pássaros invadissem minha casa
   e cantassem melodias de anjo.

   É como se o tempo me desse mais tempo
   e eu aqui, passageiro de mim mesmo,
   pudesse, então, recomeçar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário