domingo, 10 de abril de 2016

É TARDE

    NALDOVELHO

    É tarde para voltar a dormir,
    a lua faz tempo se retirou,
    as crianças ainda não conseguem
    caminhar livremente pelas ruas,
    as portas dos templos permanecem fechadas
    e por mais que eu tente não consigo sorrir.

    É tarde para destruir meus poemas.
    Lá fora, um sol arretado de quente
    cozinha os miolos da gente,
    e toda a vez que eu tento dobrar uma esquina,
    alguém vem e me impede dizendo
    que antes eu preciso apaziguar meu coração.

    É tarde para amar outra vez,
    para tê-la novamente em meus braços,
    olhos nos olhos, pele se atritando com pele,
    pernas e braços entrelaçados,
    e eu nem posso pronunciar o seu nome...
    Terra árida, pouca umidade no ar.

    É tarde para ir embora,
    amanha cedo uma nova aurora
    e o galo há de cantar três vezes,
    e certamente eu ainda poderei
    tomar um café forte e melado,
    fumar, quem sabe, mais um cigarro,
    para depois sair por aí.

    É tarde para dizer
    que eu não acredito mais em Você.

sexta-feira, 25 de março de 2016

CANDEEIRO ACESO

..
    NALDOVELHO

    Candeeiro aceso
    no parapeito da janela
    observa o firmamento.

    É noite ainda, quase madrugada,
    lá fora, uma lua azulada
    abençoa a cidade
    e as pessoas não percebem
    que apesar do silêncio
    as ruas permanecem acordadas.

    Aqui dentro, luz e sombras
    numa batalha sem fim
    devoram minhas entranhas.

    Morre o homem que eu sou,
    Prisioneiro do seu tempo.
    Sobrevive o homem que eu sonho
    abraçado a sua imensidão.


quarta-feira, 9 de março de 2016

DEIXEM

    NALDOVELHO

    Deixem que no ar sobreviva um aceno,
    uma palavra amena, um gesto de carinho,
    um sinal que nos revele um caminho,
    um que nos traga mudanças de rumos,
    que nos permita apaziguar corações.

    Deixem que o ar fique impregnado de alfazema,
    que uma chave nos faça abrir portas,
    que um mapa nos revele tesouros,
    não aqueles que reluzem a ouro,
    mas os que nos proponham a imensidão.

    Deixem que a criança em nós sobreviva,
    que possamos nos apaixonar outra vez,
    e uma vez mais, por que não?
    quantas vezes forem possíveis,
    poetas não sabem viver sem amor.

    Deixem que a ternura seja a bússola
    que nos permitirá sobreviver ao caos,
    pois só assim permaneceremos íntegros,
    pois só assim valerá a pena
    sermos os arautos da imperfeição.

    Deixem que esta música continue a tocar,
    há sempre a possibilidade de mais uma dança,
    e que entre o amanhecer e o anoitecer
    possamos escrever muitos poemas,
    ainda temos muito a aprender!

sábado, 5 de março de 2016

MINHAS ÁGUAS

    NALDOVELHO

    Minhas águas escoam
    por um emaranhado de escolhas,
    algumas delas erradas,
    águas turvas, lamacentas,
    trilhas que às vezes eu tomo,
    e que vão dar em lugar algum.
    Em outras, águas claras de nascente,
    que semeiam a vida que eu tenho,
    herança que eu transmuto em versos
    pelos caminhos da imensidão.

    Minhas águas carregam
    sonhos de alimentar corredeiras,
    palavras fazedeiras, verdades,
    viagens, miragens, magia,
    caminho de ir e de vir.
    E em cada ponto da estrada
    eu deixo um pouco de mim.
    Quem sabe outro viajante
    perdido em suas romarias
    possa um dia colher
    o pouco do que eu tenho a dizer.

    Mas às vezes eu também derramo
    águas que escorrem de salgadas,
    águas ardidas de saudade,
    lágrimas que sulcam o meu rosto,
    mas que ainda assim não causam feridas,
    pois a pele que me cobre o corpo
    é ungida na forja dos loucos,
    o que me dá a sabedoria dos poucos
    que todos os dias ao amanhecer
    têm a força e a coragem de prosseguir.


domingo, 28 de fevereiro de 2016

POEMA NÃO ESCRITO

    NALDOVELHO

    Eu tenho um poema inquieto
    que se contorce dentro de mim
    e ele fala de um amor derradeiro
    que se denuncia o tempo inteiro
    num simples e delicado gesto,
    num olhar meio assim soslaio,
    num respirar inevitavelmente afrontado,
    no suor na palma das mãos,
    no bater descompassado de um coração.

    Eu tenho um poema não escrito
    aprisionado na ponta da língua,
    no sentimento que goteja desejos,
    no carinho sonhado, mas não dito,
    pois toda a vez que abro os olhos eu vejo
    o teu sorriso, o teu cabelo emaranhado,
    e de repente sinto o teu cheiro
    e tento guarda-lo comigo
    na esperança de senti-lo o tempo inteiro.

    Eu tenho um poema proscrito,
    negado, amordaçado, aflito,
    versos molhados de orgasmos,
    sentimentos indecentes, pecados,
    e por causa dele eu finjo o tempo inteiro,
    digo mentiras, bobagens,
    faço de contas que ele não existe,
    pois toda a vez que eu amei assim,
    acabei naufragando dentro de mim.

    Eu tenho um poema, mas não tenho,
    poema covarde que chora,
    o tempo que faz tempo foi embora,
    e o que restou foram muitas cicatrizes,
    lembranças de um tempo de incertezas,
    de rosas infestadas de espinhos,
    de escrever não sei quantos outros poemas
    na esperança de esconder o poema verdadeiro,
    versos que eu não tenho coragem de escrever.




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

ANTES QUE SEJA TARDE

    NALDOVELHO

    A breve sutileza de um olhar,
    a delicadeza de um sorriso,
    a fugaz ternura de uma paixão,
    tudo é chama que aquece minha alma.
    E a música que toca incendeia meus sentidos,
    a loucura nos olhos de quem chora,
    o espinho cravado na palma da mão.
    tudo é dor a lapidar meu coração.
    O veneno injetado em minhas veias,
    mordida ardida de sereia,
    não há antidoto para a agonia de uma paixão,
    melhor morrer antes que seja tarde,
    mas que seja em noite de lua cheia,
    para que eu possa renascer junto à arrebentação.


DEPOIS DE MUITO TEMPO

    NALDOVELHO

    Ontem, ao caminhar pela casa
    encontrei pedaços de mim mesmo,
    partes, que há tempos eu não via.

    Meu braço direito que um dia
    deixei esquecido em volta de sua cintura...
    Acho que na pressa de partir
    você acabou por atirá-lo a um canto,
    nem teve a gentileza de me devolver.

    Encontrei também minha alma de sonhar,
    minha boca de falar e meus olhos de chorar.
    Coisa estranha!
    Tantas coisas que pareciam perdidas,
    na realidade estavam só esquecidas.

    Até minhas pernas eu voltei a sentir,
    caminhei em direção à porta
    e ao sair pelas ruas conheci pessoas,
    perguntei a elas sobre você...
    Mas de você elas não sabiam!

    Resolvi então abrir minhas janelas,
    escancarar de vez minha vida,
    quem sabe um vento forte
    possa trazer de volta meu coração
    que por pura maldade
    você levou ao partir?

    Ontem ao caminhar pela cidade,
    depois de muito tempo
    eu senti vontade de sorrir.



sábado, 6 de fevereiro de 2016

MINHA MANEIRA DE AMAR

    NALDOVELHO

    Meu pensamento é faca
    a fatiar o tempo,
    cada fatia um sentimento,
    uma história a ser contada
    onde passado, presente e futuro
    se misturam em cima de uma mesa,
    folha de papel em bandeja,
    pois é minha sina macerar a palavra
    até tirar dela seu sumo, seu significado.

    Minha palavra e fórceps
    a extrair de minhas entranhas,
    nódulos, pólipos, abcessos,
    fetos não nascidos faz tempo
    cristalizados feito farpas,
    perda, mágoa, rancores,
    coisas que só um poema
    conseguirá desmaterializar.

    Meu poema é caminho
    construído em noites desertas,
    é oração que eu teço sozinho,
    é quem me aquece nas horas incertas,
    é asas de voar por dentro,
    é a delicadeza e a leveza
    de uma lágrima transposta em verso,
    é a minha maneira de amar. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

ENTARDECER

    NALDOVELHO

    Quando meus olhos entardeceram
    eu percebi que o mundo que existia
    não cabia na palma da minha mão
    e que o meu umbigo sofria
    de uma dor maior do que deveria
    suportar o meu pobre coração.

    Quando meus olhos entardeceram
    eu acendi velas pros santos,
    fiz orações aos quatro cantos,
    pedi que a vida que existia
    não tivesse tanta pressa,
    tive muito medo de morrer.

    Então eu me pus a registrar em versos
    todos os meus passos pregressos,
    todos os meus pensamentos insanos,
    todos os meus desenganos,
    na esperança de assim me eternizar,
    pois uma vez mais eu tive medo de morrer.

    Quando os meus olhos entardeceram
    eu tentei mergulhar dentro de mim,
    na esperança de encontrar respostas
    pois pela primeira vez eu entendia
    que a vida que eu vivia deveria ter sido
    maior do que aquela que existia em minhas ilusões.

    E aí eu vi que a solidão havia sido um caminho,
    e que todas as feridas, cicatrizes, espinhos,
    nada mais eram do que a colheita de quem
    fez da inquietude o seu único bem.
    E a cada poema um pouco mais eu morria
    com medo de não deixar nada para ninguém.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

CIGARRO ENTRE OS DEDOS

    NALDOVELHO

    Atrito, faísca, fogo!
    O cigarro aceso entre os dedos
    esconde meus medos.
    Fumaça é feito neblina,
    confunde a visão, esconde tessituras,
    ameniza amarguras, alucina.
    
    Se a noite que eu tenho é escura,
    será a brasa do meu cigarro
    candeeiro aceso a iluminar caminhos?
    Depois, quantas vidas terei de viver?
    Quantas dores terei que sofrer?
    Quantas mortes terei que morrer?

    Atrito, faísca, fogo!
    Até hoje eu sinto medo,
    até hoje eu percebo a neblina,
    já não fumo faz tempo,
    mas a poesia que eu tenho
    ainda não dissipou a escuridão.


URGENTEMENTE

    NALDOVELHO

    Preciso urgentemente
    caminhar pelas ruas de minha cidade,
    explorar novos mapas,
    e pelos caminhos alterar meu destino,
    plantar novos sonhos,
    pois são muitas as sementes,
    quem sabe possamos merecer?

    Preciso urgentemente
    resgatar a música
    que nem sei por que cargas d’água,
    não fiz mais por merecer.
    São muitas as sonoridades,
    melodias emocionadas,
    harmonias que vibram pelo espaço,
    vontade de tocar para vocês.

    Preciso urgentemente
    chorar lágrimas que insistem
    no canto dos olhos, cristalizadas.
    dores que eu fiz por merecer,
    e ainda que não lembre direito, 
    maior é a minha saudade
    de um lugar perdido no tempo
    que eu vivo tentando descrever.

    Preciso urgentemente
    libertar a criança em mim aprisionada,
    extrair dos meus pensamentos
    raízes de erva daninha ,
    beber dose e meia de esperança,
    fazer por merecer uma nova dança,
    escrever mais poemas,
    pintar outros quadros,
    fazer o caminho de volta,
    pois ainda há muito o quê fazer.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

TUDO O QUE EU QUERIA

    NALDOVELHO

    Tudo o que eu queria era ter Sua bênção
    para poder chegar ou poder partir,
    sem que uma porta, cadeado ou tramela
    pudessem me impedir;
    era poder dizer sim ou poder dizer não,
    sem que alguém mais que depressa
    viesse me ameaçar ou me amordaçar.

    Tudo o que eu queria era ter Sua bênção
    para poder trilhar meu próprio rumo,
    traçar meus mapas, me perder pelo mundo,
    só para poder depois me redescobrir
    e me reencontrar em Você;
    era poder conhecer a dor a cada erro
    e a felicidade a cada acerto,
    era poder cair a cada passo mal dado
    para depois levantar e caminhar de novo,
    ainda que do lado errado da estrada,
    pois ainda tenho muito o quê aprender.

    Tudo o que eu queria era ter Sua bênção
    para escrever o meu próprio livro,
    e nele cometer heresias, falar de poesia,
    tentar descobrir minhas verdades,
    crescer a cada verso, viajar pelo universo,
    mostrar ao mundo inteiro o amor que eu tenho,
    saber reconhecer Seu rosto, ter Sua voz dentro de mim.

    Tudo o que eu queria era pronunciar Seu nome
    de um jeito que eu ainda não aprendi.




quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O MENININHO QUE GOSTAVA DE CATAR PEDRINHAS


NALDOVELHO

E tinha aquele menininho que gostava de catar pedrinhas coloridinhas nas areias daquela praia, lá pros lados do desassossego. E ele se ria, toda a vez que via o mar a fustigar o rochedo, e dizia que logo surgiriam mais pedrinhas que ele iria precisar catar. O menino adorava ver a natureza fazer o seu trabalho e inventava que cada pedrinha tinha uma história, que quando ele crescesse iria nos contar.

Mas o menino gostava também, e especialmente, das branquinhas, dizia serem pedacinhos de nuvens que o vento costumava lapidar, e que elas, todas, traziam ensinamentos gravados em palavras de anjo que um dia ele saberia nos passar.

Aquele menino adorava caminhar pela praia e seu maior prazer era o de inventar coisas; histórias que ninguém mais via, sentia ou sabia; só ele, o menininho que gostava de catar pedrinhas.

Certa feita, bem pertinho de um arvoredo nos limites da praia, além das pedrinhas ele encontrou um monte de penas, várias, lindas e prateadas, que ele mais que depressa pegou. Desde então, o menino e suas penas, passavam boa parte do dia nas areias daquela praia a escrever palavras que ninguém entendia, e que depois de algum tempo, tragadas pelo mar ou pelo vento, sumiam! E ele novamente se ria e dizia que eram poemas em palavras sagradas de anjo, que um dia, quando crescêssemos todos, ele poderia nos mostrar.


Há tempos, o menininho foi embora, partiu numa onda do mar, mas deixou comigo suas penas e a sua coleção de pedrinhas. Vez em quando pego uma para poder lhes contar. 



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

ÀQUELES QUE NÃO GOSTAM DE POESIA

    NALDOVELHO

    Guardo certas reservas
    com relação aos dias
    que transpirem aridez.
    Dias que me pareçam sedentos,
    embaraçados nas teias do tempo,
    com rachaduras por todo lado,
    de estreiteza e solidez acidentados,
    onde a vida se mostre
    plena de desenganos,
    lascas, feridas, arestas,
    falência de planos,
    tudo estranho demais.

    Guardo muitas reservas
    com relação às palavras
    que transpirem desamor.
    Elas costumam deixar no rosto
    sulcos, rugas, marcas,
    coisas causadas pelo desgosto
    e pela acidez de lágrimas não choradas,
    de poemas não escritos,
    e de uma interminável solidão
    que teima em me assombrar.

    Prefiro então
    colecionar abraços, laços,
    sorrisos, carinhos, caminhos,
    entrelaçar destinos,
    acreditar em dias
    que transpirem fantasia,
    em música visceral e profana,
    pois ainda que haja dias de chuva,
    haverá certa leveza no ar.

    Guardo certas reservas
    àqueles que não gostam de poesia.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

HÁ TEMPOS EU VENHO AQUI

    NALDOVELHO

    Há tempos eu venho aqui
    e me exponho!
    Minha nudez é coisa certa.
    E aí, deixo que vejam
    as cicatrizes que trago
    em meu corpo,
    permito que me olhem
    no fundo dos olhos e então revelo
    todos os recantos do meu ser.
    É bem verdade, alguns sombrios,
    pois melhor ainda não sei fazer.

    Macero palavras noite e dia,
    palavras de semear descobertas,
    algumas de semear fantasias...
    Pois já disse: minha nudez
    é coisas certa!

    Não sei se isto te importa,
    ou se irá importar algum dia.
    Só sei que eu faço a minha parte
    e o faço desde que me propus
    a voar com asas de voar por dentro.

    Talvez seja esta a maneira
    de dar algum sentido
    a loucura que me devora faz tempo,
    talvez seja este o meu jeito
    de tentar ser melhor
    do que realmente eu sou.

    Há tempos eu venho aqui
    e me exponho...


domingo, 10 de janeiro de 2016

LIRISMO

    NALDOVELHO

    Entardece e luz da lua brota
    por de traz daquela montanha,
    malas repletas de esperanças tamanhas,
    um coração cheinho de cicatrizes,
    mas que ainda crê em finais felizes.

    Um café coado com carinho,
    uma vontade enorme de semear caminhos,
    colher outonos e neles refazer meus planos,
    acreditar na suavidade da palavra sonho
    e na delicadeza a que me proponho.
    O mês de março é ótimo para se recomeçar.

    E assim a vida me abraça por inteiro,
    brisa macia que me acaricia e desfaz meus medos,
    e a noite me envolve e se apodera dos meus passos,
    desfaz dores, desencrava poemas, alivia o meu cansaço.
    Instante mágico molhado de poesia.

    Luz da lua já vai alta em minha cidade,
    noite que avança, prenúncio de madrugada,
    e aquela música ainda soa em meus ouvidos,
    trilha sonora ideal que embriaga os meus sentidos.
    Já é madrugada, lá fora o orvalho, vício antigo!

    Dizem por aí que lirismo está morto,
    Sei não! Pelo menos em mim eu sei que não.

  

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

UM COPO DE ESPERANÇA

    NALDOVELHO

    Tragam-me um copo de esperança
    e um prato cheio de delicadezas,
    tantas, que me façam por aqui permanecer.

    Por favor, abram também as janelas.
    Eu preciso que o vento circule pela casa,
    eu preciso que o sol ilumine meus passos.

    Faz tempo eu caminho pela vida,
    ruas desertas, vento frio, açoite.

    Tragam-me algo que sirva de alento,
    um bom bocado de certezas,
    um sorriso desinteressado,
    um abraço apertado, um carinho de irmão.

    Por favor, deixem que se aproximem...

    Faz tempo caminho pela noite,
    faz tempo me perdi em orações.

    Tragam-me também novos poemas,
    palavras que acariciem,
    que promovam encontros,
    que revelem caminhos,
    que construam pontes para o amanhã.

    Por favor, deixem que se revelem...

    Faz tempo escrevo nostalgias,
    faz tempo naufrago na solidão.

    Eu preciso de um copo de esperança.
    de um prato cheio de delicadezas,
    de um jeito de aquecer meu coração.